Qual a melhor fase da vida, perguntou Maicon ao seu companheiro de trabalho. Eram os dois jardineiros. Ambos com primeiro grau incompleto, para não dizer primeira série. No critério Brasil, aquele que avalia o poder sócio-econômico da população, o resultado era sempre negativo mesmo somando a pontuação do duo.
Enquanto podava a grama, Uéscley respondeu: é qualquer fase anterior a essa que vivemos agora.
Depois de uma longa pausa, continuou: porque a memória só guarda as coisas boas, já percebeu? É um processo de auto-enganação. Veja só: até as coisas que te frustaram no passado, hoje são revestidas com uma espécie de ternura. Sabe quem inventou o termo Nostalgia? Foi um médico suíço em 1678. Era usada para traduzir a saudade da terra natal. Mas se a gente analisar a etimologia dessa palavra, veremos que "Nóstos", do grego, significa regresso, retorno. E "algia", como em fibromialgia, nevralgia, significa dor. Enfim, é a dor do regresso. Não a um espaço físico, mas sim a um espaço de tempo. Um retorno a algo que se perdeu, que nunca foi e que nunca será. Ou que foi mas acabou não sendo. Tipo uma festa de 15 anos que você deixou de ir. Ou uma em que acabou indo com seu melhor terno.
Maicon, sem saber que parafraseava Sartre, terminou a conversa:
- É verdade. Com 15 anos, é muito cedo ou muito tarde para se fazer qualquer coisa.
sexta-feira, 20 de julho de 2007
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