-Hi. What`s your name?
-Doesn`t matter.
-Hi Doesn`t matter. How are you?
sábado, 27 de setembro de 2008
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Last lines of Stroszek (Werner Herzog)
Deputy Sheriff: "We have a 10-80 out here, a truck on fire, we have a man on the lift. We are unable to find the switch to turn the lift off, can't stop the dancing chickens. Send an electrician, we're standing by."
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Banca de Jornal
Antes de sonhar em ser porteiro (eles têm o dia inteiro para ler livros russos, por exemplo), sonhava em ter uma banca de jornal.
E se engana quem pensa que é só por causa da enorme quantidade de revistas disponíveis. Sim, você pode ler, no trabalho, a Variety, Playboy, GQ, Mundo Estranho (minha revista preferida), SuperInteressante, Vip, até aquela porcaria da Men's Health, que todo mês repete a matéria da barriguinha sarada. Mas não é isso.
Só uma coisa, desde pequeno, me fascinava no fato de ser dono de uma banca de jornal: a possibilidade de dormir lá dentro durante a noite. Sim, eu me imaginava fechando a banca, lá pelas oito horas. Depois, lendo algum livro interessante, já que naquela altura eu estaria por-aqui de revistas. Depois, assistindo algum filme no Eurochannel. E depois vendo uma meia hora de VH1 Classic.
Sei lá por que eu pensava nisso. Só sei que era bom ter planos para o futuro. Já que quando o futuro chega, você só tem planos para o passado.
E se engana quem pensa que é só por causa da enorme quantidade de revistas disponíveis. Sim, você pode ler, no trabalho, a Variety, Playboy, GQ, Mundo Estranho (minha revista preferida), SuperInteressante, Vip, até aquela porcaria da Men's Health, que todo mês repete a matéria da barriguinha sarada. Mas não é isso.
Só uma coisa, desde pequeno, me fascinava no fato de ser dono de uma banca de jornal: a possibilidade de dormir lá dentro durante a noite. Sim, eu me imaginava fechando a banca, lá pelas oito horas. Depois, lendo algum livro interessante, já que naquela altura eu estaria por-aqui de revistas. Depois, assistindo algum filme no Eurochannel. E depois vendo uma meia hora de VH1 Classic.
Sei lá por que eu pensava nisso. Só sei que era bom ter planos para o futuro. Já que quando o futuro chega, você só tem planos para o passado.
sábado, 30 de agosto de 2008
Sacola
Sabe o que é amor?
Amor é o que ele viu no metrô naquele dia.
Era um casal cheio de sacolas. Muitas compras no supermercado, na volta para casa. Aquilo tudo era para os filhos? Para os dois? Um jantarzinho íntimo no sábado, pode ser. Ela não era mais a mesma de 5 anos atrás. Mas ainda era amor. Sabe por quê?
Porque ele segurava com uma mão uma sacola pesadíssima. E com a outra, segurava o punho da mulher, que segurava outra sacola pesada. Ele que fazia toda a força.
Amor é o que ele viu no metrô naquele dia.
Era um casal cheio de sacolas. Muitas compras no supermercado, na volta para casa. Aquilo tudo era para os filhos? Para os dois? Um jantarzinho íntimo no sábado, pode ser. Ela não era mais a mesma de 5 anos atrás. Mas ainda era amor. Sabe por quê?
Porque ele segurava com uma mão uma sacola pesadíssima. E com a outra, segurava o punho da mulher, que segurava outra sacola pesada. Ele que fazia toda a força.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Coruja
Uma vez meu pai encontrou uma coruja com a perna quebrada no meu ex-sítio. Não teve dúvidas: levou-a para minha ex-casa. Colocou-a dentro de uma caixa grande de garrafas Minalba. A caixa ficava num quartinho, que ficava ao lado do quarto da empregada e da área de serviço.
Era uma coruja legal. Parecia estar sempre triste. Não pela perna quebrada, eu acho, mas por estar longe de casa. De qualquer jeito, corujas parecem estar sempre tristes. Então ela poderia parecer triste por qualquer coisa. Inclusive por não estar triste.
Sei que, às vezes, acordava de madrugada e ia até lá ver como a coruja estava. Talvez quisesse tirar a limpo aquela estória de que essas aves dormem de dia e ficam acordadas à noite. E lá estava ela, com os olhos semicerrados. Estava dormindo? Estava acordada?
Eu tinha 8 anos. Ainda tenho saudades da coruja.
Era uma coruja legal. Parecia estar sempre triste. Não pela perna quebrada, eu acho, mas por estar longe de casa. De qualquer jeito, corujas parecem estar sempre tristes. Então ela poderia parecer triste por qualquer coisa. Inclusive por não estar triste.
Sei que, às vezes, acordava de madrugada e ia até lá ver como a coruja estava. Talvez quisesse tirar a limpo aquela estória de que essas aves dormem de dia e ficam acordadas à noite. E lá estava ela, com os olhos semicerrados. Estava dormindo? Estava acordada?
Eu tinha 8 anos. Ainda tenho saudades da coruja.
domingo, 3 de agosto de 2008
Grande Roy.
Golden days before they end
Whisper secrets to the wind
Your baby won't be near you any more
Tender nights before they fly
Send falling stars that seem to cry
Your baby doesn't want you any more
It's over
It breaks your heart in two
To know she's been untrue
But, oh, what will you do
When she says to you
There's someone new
We're through, we're through
It's over, it's over, it's over
All the rainbows in the sky
Start to weep, then say goodbye
You won't be seeing rainbows any more
Setting suns before they fall
Echo to you that's all, that's all
But you'll see lonely sunsets after all
It's over, it's over, it's over
It's over
Whisper secrets to the wind
Your baby won't be near you any more
Tender nights before they fly
Send falling stars that seem to cry
Your baby doesn't want you any more
It's over
It breaks your heart in two
To know she's been untrue
But, oh, what will you do
When she says to you
There's someone new
We're through, we're through
It's over, it's over, it's over
All the rainbows in the sky
Start to weep, then say goodbye
You won't be seeing rainbows any more
Setting suns before they fall
Echo to you that's all, that's all
But you'll see lonely sunsets after all
It's over, it's over, it's over
It's over
quinta-feira, 31 de julho de 2008
domingo, 27 de julho de 2008
Faça um seguro de automóvel. Um dia você pode não precisar.
Fabrício tinha um belo carro. Air-bag duplo, bancos em couro, rodas 20 polegadas. Desses que fazem as mulheres ficarem úmidas quando o vêem. E porque as mulheres gostam de carros? Porque carros são sinônimos de dinheiro. E dinheiro é sinônimo de segurança. E toda mulher procura segurança, óbvio. Desde quando existiam dinossauros.
Mas Fabrício queria vender seu carro justamente por causa disso. Queria uma mulher que se sentisse segura ao lado dele não por causa do carro. Sim por causa de seu abraço forte. Era uma segurança momentânea, é claro, mas pelo menos não envolvia dinheiro. Talvez a única que não envolvesse.
Então Fabrício foi em exatamente 27 lojas. Todas ofereceram um valor baixíssimo pelo carro. Uma hora falavam que era a cor, dourado. Outra hora falavam que era o câmbio, que não era automático. Mas se fosse, diriam que preferiam o manual. Nessa fase da vida, ele não ligava muito para dinheiro, mas também não era bobo. Queria o valor justo. Em vão. Malditos vendedores de lojas de carros usados.
O garoto de 20 anos teve uma idéia: dar PT (perda total) em seu carro. Assim receberia o valor de tabela do carro, algo justo na cabeça dele. Aí ficou na dúvida. Não sabia se batia de frente para pegar o motor, o que certamente levaria à PT, ou se batia de lado, para pegar a coluna lateral, algo também bastante convincente em termos de perda total.
Escolheu uma sexta-feira, para parecer que tinha bebido ou que estava cansado demais depois de uma noite inteira de olhares mal sucedidos. Se fossem bem sucedidos, tudo seria um grande mal entendido, como sempre. É a vida.
Resolveu bater de frente mesmo. Não é assim que seus amigos diziam? "Encare a vida de frente." Como se desse para encarar algo de costas, não é? Então lá na Av. Rebouças, enfiou seu carro no 5 poste que viu. Nunca achou que a coragem pudesse ser quantificada em 4 postes, mas enfim.
Ao bater, seu Air-bag não abriu. Apenas o do passageiro.
Onde deveria estar sua ex-namorada, que, horas depois, choraria muito no seu velório, culpando-se ao achar que aquele pobre homem jogou seu carro num poste por causa dela, não por causa das práticas hediondas do mercado de veículos usados.
Pobre moça.
Mas Fabrício queria vender seu carro justamente por causa disso. Queria uma mulher que se sentisse segura ao lado dele não por causa do carro. Sim por causa de seu abraço forte. Era uma segurança momentânea, é claro, mas pelo menos não envolvia dinheiro. Talvez a única que não envolvesse.
Então Fabrício foi em exatamente 27 lojas. Todas ofereceram um valor baixíssimo pelo carro. Uma hora falavam que era a cor, dourado. Outra hora falavam que era o câmbio, que não era automático. Mas se fosse, diriam que preferiam o manual. Nessa fase da vida, ele não ligava muito para dinheiro, mas também não era bobo. Queria o valor justo. Em vão. Malditos vendedores de lojas de carros usados.
O garoto de 20 anos teve uma idéia: dar PT (perda total) em seu carro. Assim receberia o valor de tabela do carro, algo justo na cabeça dele. Aí ficou na dúvida. Não sabia se batia de frente para pegar o motor, o que certamente levaria à PT, ou se batia de lado, para pegar a coluna lateral, algo também bastante convincente em termos de perda total.
Escolheu uma sexta-feira, para parecer que tinha bebido ou que estava cansado demais depois de uma noite inteira de olhares mal sucedidos. Se fossem bem sucedidos, tudo seria um grande mal entendido, como sempre. É a vida.
Resolveu bater de frente mesmo. Não é assim que seus amigos diziam? "Encare a vida de frente." Como se desse para encarar algo de costas, não é? Então lá na Av. Rebouças, enfiou seu carro no 5 poste que viu. Nunca achou que a coragem pudesse ser quantificada em 4 postes, mas enfim.
Ao bater, seu Air-bag não abriu. Apenas o do passageiro.
Onde deveria estar sua ex-namorada, que, horas depois, choraria muito no seu velório, culpando-se ao achar que aquele pobre homem jogou seu carro num poste por causa dela, não por causa das práticas hediondas do mercado de veículos usados.
Pobre moça.
2046
Irina estava andando pela avenida paulista no sentido Consolação. John, no sentido Paraíso.
Próximo à livraria Martins Fontes, os dois se cruzaram. Foi um cruzamento diferente desses que acontecem todo dia. Sabem por quê? Porque eles se olharam. E, hoje em dia, ninguém mais se olha na rua.
Mas, então, eles se olharam. E foram um passando do ponto do outro, sem virar os rostos.
Um segundo e meio depois, Irina virou sua cabeça para trás, para ver se John a olhava. Não olhava.
Um segundo após Irina voltar sua cabeça para a posição original, ou seja, para a frente, John se virou para ver se Irina o olhava. Não olhava.
E foi isso. Um quase isso. Como quase sempre.
Afinal, como diria o chinês do título desse texto, "o amor é uma questão de timing".
Próximo à livraria Martins Fontes, os dois se cruzaram. Foi um cruzamento diferente desses que acontecem todo dia. Sabem por quê? Porque eles se olharam. E, hoje em dia, ninguém mais se olha na rua.
Mas, então, eles se olharam. E foram um passando do ponto do outro, sem virar os rostos.
Um segundo e meio depois, Irina virou sua cabeça para trás, para ver se John a olhava. Não olhava.
Um segundo após Irina voltar sua cabeça para a posição original, ou seja, para a frente, John se virou para ver se Irina o olhava. Não olhava.
E foi isso. Um quase isso. Como quase sempre.
Afinal, como diria o chinês do título desse texto, "o amor é uma questão de timing".
domingo, 13 de julho de 2008
Fim
A coca light. O filme. A noite. O sono. O sonho. O remédio para o sono. O esmalte. O amor. A viagem. O álbum do Sígur Rós. As amizades. O livro. O tesão. A vontade de comprar. A vontade de vender. O carré de cordeiro com cuscuz marroquino. O risoto daquilo, risoto disso, risoto de sei lá o quê. A família. O romance. O mistério. O suspense. O drama. O terror. O abril. O dezembro. O outono. O cheiro daquela lembrança. A doença. O limite do cartão de crédito. A crença. A dúvida. O desejo. A falta de desejo. O xarope para tosse. A tosse. A vida.
...as coisas, de uma hora para outra, simplesmente acabam.
...as coisas, de uma hora para outra, simplesmente acabam.
Sinceridade
Entre as milhares de coisas que me chateiam na vida, uma das piores é, sem dúvida, a impossibilidade de ser sincero.
Por exemplo, você encontra uma garota interessante numa festa. Na sua cabeça, sabe-se lá por qual motivo, você realmente acha que a conhece de algum lugar. Ok, pode ser dos seus sonhos, pode ser de outra festa em que você estava totalmente bêbado, não importa. O que importa é que você realmente acha que a conhece de algum lugar (faço questão de repetir, já que isso é totalmente possível devido às mesmas baladas, mesmos círculos de amizade, etc.). Só que experimente chegar nela e dizer: "Ei, eu não te conheço de algum lugar?". Já era, amigo.
Outro exemplo: você não aguenta mais machucar sua namorada. Afinal, você é uma pessoa horrível e não quer ser mais horrível ainda com as pessoas que você realmente gosta. Então você decide terminar o namoro. Só que o problema é você, isso é fato. Não é ela. Agora experimente chegar na sua namorada e dizer: "Sabe o que é? O problema não é você, sou eu. Vamos terminar.". Por mais que seja verdade, você acaba de se ferrar. Mais uma vez.
É triste, não é?
Por exemplo, você encontra uma garota interessante numa festa. Na sua cabeça, sabe-se lá por qual motivo, você realmente acha que a conhece de algum lugar. Ok, pode ser dos seus sonhos, pode ser de outra festa em que você estava totalmente bêbado, não importa. O que importa é que você realmente acha que a conhece de algum lugar (faço questão de repetir, já que isso é totalmente possível devido às mesmas baladas, mesmos círculos de amizade, etc.). Só que experimente chegar nela e dizer: "Ei, eu não te conheço de algum lugar?". Já era, amigo.
Outro exemplo: você não aguenta mais machucar sua namorada. Afinal, você é uma pessoa horrível e não quer ser mais horrível ainda com as pessoas que você realmente gosta. Então você decide terminar o namoro. Só que o problema é você, isso é fato. Não é ela. Agora experimente chegar na sua namorada e dizer: "Sabe o que é? O problema não é você, sou eu. Vamos terminar.". Por mais que seja verdade, você acaba de se ferrar. Mais uma vez.
É triste, não é?
sábado, 21 de junho de 2008
Tylex
Marcello não estava bem. Só conseguia pensar numa coisa: "Por que o Tylex vem com paracetamol? Não podia vir só com codeína? Por quê? Por quê? Por quê?"
Para quem não sabe, dizia ele, o paracetamol é metabolizado no fígado, o mesmo lugar em que isso ocorre com o álcool. Quando se mistura os dois, falando de um jeito leigo, temos um grande problema enzimático. Ou seja: bebeu muito numa noite? Ficou com dor de cabeça no dia seguinte? Tomou um Tylenolzinho para a dor passar? Se ferrou, meu amigo.
E por que ninguém fala disso abertamente, como se fala de receitas preferidas de Mojito ou de como é chato transar com pessoas de meia? Em primeiro lugar, se a menina tiver pés feios, acho muito sensível da parte dela não tirar a meia. Mas, concluindo, sabe-se lá porque ninguém fala nesse perigo do Tylex. Marcello falava.
O jeito é não beber. Porque se um lado Marcello tem a deliciosa sensação da mistura codeína + álcool, tem também a fulminante sensação de perder um pedaço do fígado graças ao paracetamol + álcool.
É, pensou Marcello, está ficando cada vez mais difícil viver por aqui.
Para quem não sabe, dizia ele, o paracetamol é metabolizado no fígado, o mesmo lugar em que isso ocorre com o álcool. Quando se mistura os dois, falando de um jeito leigo, temos um grande problema enzimático. Ou seja: bebeu muito numa noite? Ficou com dor de cabeça no dia seguinte? Tomou um Tylenolzinho para a dor passar? Se ferrou, meu amigo.
E por que ninguém fala disso abertamente, como se fala de receitas preferidas de Mojito ou de como é chato transar com pessoas de meia? Em primeiro lugar, se a menina tiver pés feios, acho muito sensível da parte dela não tirar a meia. Mas, concluindo, sabe-se lá porque ninguém fala nesse perigo do Tylex. Marcello falava.
O jeito é não beber. Porque se um lado Marcello tem a deliciosa sensação da mistura codeína + álcool, tem também a fulminante sensação de perder um pedaço do fígado graças ao paracetamol + álcool.
É, pensou Marcello, está ficando cada vez mais difícil viver por aqui.
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