segunda-feira, 2 de abril de 2007

Atlantic City

Dagoberto tinha ejaculação precoce. Era difícil para ele se segurar. Até a pré-adolescência mijou na cama, mas isso não vem ao caso. O maior problema para Dago, na verdade, era outro. Ele não entendia o porquê das mulheres acharem ruim o fato de uma pessoa ejacular rapidamente. Não seria isso uma homenagem àqueles belos corpos femininos? Oras, não se é precoce com uma velhinha de 80 anos, pensava ele. (Segundo Schopenhauer, existe juventude sem beleza, mas não beleza sem juventude, leu ele uma vez). Dagoberto tinha raiva. Muita raiva. Sua ejaculação precoce não era entendida do jeito que deveria ser. Ele amava as mulheres. Aquilo era a manifestação física de todo o seu desejo e paixão por elas. Pobres mulheres leitoras de Nova, repetia ele.

Por tudo isso, Beto resolveu se matar. Decidiu se jogar no Rio Pinheiros.

Tomou um último chopp no Filial, ali na Vila Madalena. E seguiu em linha quase reta até a marginal. Próximo de chegar lá, já na rua Capri, avistou uma bela ninfeta de 12 anos. Com certeza já havia menstruado, por isso não havia mal nenhum em desejá-la segundo as leis da natureza. Que belo par de panturrilhas. Eram tão lindas que ele começou a tremer. Era, de fato, a sua última ejaculação precoce. Uma das mais intensas. Não só ele, mas o chão também começou a tremer. O mundo começou a tremer. E Dagoberto foi engolido pela cratera da linha 4 do metrô.

2 comentários:

Paloma de Montserrat disse...

Amei. Maravilhoso.

Pequena Russa disse...

Pô fiquei fã do Dago e ele se foi...