Estudo originalmente publicado na revista “Nature” sobre 90% das meninas que estudaram no Gracinha, Santa (Vera) Cruz e similares.
São meninas bonitas. A beleza, assim como a renda, é mal distribuída no Brasil. Para pagar uma mensalidade dessas, é necessário ter no mínimo um Tucson, um Civic e um Gol (do rodízio) na garagem. Diferente do Colégio Porto Seguro, onde a mãe é completamente linda, idiota e fitness e o pai é mais um herdeiro em decadência, no caso dos colégios supracitados há um certo nível intelectual nos genitores. Inteligência essa que desaparece quando ouvimos coisas do tipo: “Só consegui uma vaga para minha filha porque estudei lá” ou “Minha filha foi a primeira no vestibulinho.” Infelizmente, essas meninas crescem achando que são “foda”. Pena que durante todos esses anos e depois na ESPM, FAAP ou USP, caso o cursinho seja bom, “foda” seja a última coisa que elas têm em mente. Sim, essas garotas têm problemas sexuais. Muitas delas colocam silicone, mas têm medo que o namorado estoure as próteses numa relação levemente mais sádica. Essas jovens mantêm sempre uma mão entre os dois corpos em ação. Just in case.
Meninas do Santa Cruz e Gracinha se sentem culpadas por serem apenas lindas. Elas não querem atrair olhares por terem corpos deliciosos graças à academia do prédio com ampla área de lazer, frequentada assiduamente desde a primeira menstruação. Elas querem ser inteligentes também. Acham que porque estudam em colégios que têm a falsa imagem de possuir currículos voltados à cultura, foram agraciadas com o dom do pensamento diferenciado. Então elas escolhem um ou outro assunto de interesse que as separem do mundo dos medianos. David Lynch é um exemplo. Mas não fazem noção de quem foi Laura Palmer. Muito menos viram o mais acessível e complicado filme dele: Straight Story. Tampouco sabem que não se pode pedir Heineken, mas Pabst Blue Ribbon. A única coisa que viram do topetudo foi Cidade dos Sonhos. E entenderam t-u-d-o.
Essas meninas cultivam amizades antigas. São outras garotas do mesmo círculo social e financeiro, que estudaram nos mesmos colégios, frequentaram os mesmos clubes (principalmente nas festas juninas) e fizeram intercâmbio para os mesmos lugares. Obviamente, quando você é adolescente, não tem o mínimo critério para amizades. É natural que depois que você obtém uma personalidade (na maioria dos casos é necessário comprar uma), escolha seus amigos com maior dedicação. Aliás, não existe nada mais brochante nessa vida do que ter a infelicidade de sentar ao lado de uma mesa repleta dessas mulheres em alguma Temakeria & Cia da vida. A vontade de pegar o hashi e enfiar no olho do, quer dizer, da menina é algo terrível.
Tais meninas santas e graciosas não vão para o céu. Porque nós sabemos que elas estão mentindo a cada inspiração (e expiração). São fantoches da sociedade paulistana. Casam com idiotas do mercado financeiro ou publicitários/videomakers. Fazem encontros semanais em algum apê no Morumbi ou Alto de Pinheiros para falar obviedades, fofocar e tentar entender David Lynch. Por mais que os namorados as tratem mal e, principalmente, as levem para jantar no Lorena 1989, elas continuam ali, fiéis como poodles tingidos de rosa. Se o mundo contradiz uma dessas gracinhas, logo pensam: “Com certeza é porque eu não quis dar para ele”. Como se, ainda mais no caso delas, fosse possível dar para todo o mundo!
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