Na primeira vez que beijou uma garota, Adalberto achou meio salgado. Era um momento doce, dizia sempre sua irmã mais velha, fã de Cecília Meireles. Talvez a menina tivesse comido um tambaqui em crosta de sal grosso com risoto de bacalhau marinado. Ou simplesmente um churrasquinho grego, primo pobre da moussaka, que vinha com três sucos grátis (obviamente para equilibrar o nível de sódio no organismo.)
Na primeira vez que transou com uma garota, Adal acho amargo.
Na primeira vez que fez Golden Shower, a pedido de sua namorada católica e virgem apenas do orifício vaginal, lembrou de seu primeiro beijo. Enquanto engolia as últimas gotas de uréia, Beto pensou: um beijo não é nada salgado perto disso.
terça-feira, 27 de março de 2007
segunda-feira, 26 de março de 2007
Em um ano com 26 luas.
Florisberto era funcionário público. E, como todo aspone, era uma pessoa estranha. Obcecado por juntar dinheiro, trocava seus almoços por empadas com azeitonas com caroços. Todo dia.
Quando criança, os amigos impiedosos do colégio, hoje maridos entediados de esposas semi-feias, costumavam chamá-lo de flor. Aquilo o incomodava. Um dia Floris foi até o bosque próximo à sua casa. Colheu uma bromélia e a pôs no cabelo. Veadinho, resmungou o jardineiro municipal. O garoto não ligou. Talvez nem tenha ouvido. O que importa é que ele passou, com o adorno na cabeça, a tarde inteira admirando o caule de uma palmeira. Que caule lindo. Que caule lindo. Que caule lindo. Que caule lindo. Que caule lindo. Que caule lindo. Ó, o crepúsculo.
Florisberto juntou, em 30 anos, mais de 300 mil reais. Gastou 12 mil com a operação de mudança de sexo. Arrependeu-se. Gastou mais 20 mil, agora dólares, para enxertar gordura do bumbum na sua mínuscula glande, que tinha se transformado num pseudo-clitóris. Porém, maratonista e obviamente com um índice mínimo de gordura corporal, não lhe sobrou muito para o recheio de seu pênis. Gastou os outros 228 mil reais em vodca de média qualidade.
Quando criança, os amigos impiedosos do colégio, hoje maridos entediados de esposas semi-feias, costumavam chamá-lo de flor. Aquilo o incomodava. Um dia Floris foi até o bosque próximo à sua casa. Colheu uma bromélia e a pôs no cabelo. Veadinho, resmungou o jardineiro municipal. O garoto não ligou. Talvez nem tenha ouvido. O que importa é que ele passou, com o adorno na cabeça, a tarde inteira admirando o caule de uma palmeira. Que caule lindo. Que caule lindo. Que caule lindo. Que caule lindo. Que caule lindo. Que caule lindo. Ó, o crepúsculo.
Florisberto juntou, em 30 anos, mais de 300 mil reais. Gastou 12 mil com a operação de mudança de sexo. Arrependeu-se. Gastou mais 20 mil, agora dólares, para enxertar gordura do bumbum na sua mínuscula glande, que tinha se transformado num pseudo-clitóris. Porém, maratonista e obviamente com um índice mínimo de gordura corporal, não lhe sobrou muito para o recheio de seu pênis. Gastou os outros 228 mil reais em vodca de média qualidade.
segunda-feira, 19 de março de 2007
Perfume de mulher.
Alberto era floricultor. Sabia que, além do perfume, existiam mais diferenças entre um lírio normal e um lírio perfumado que a nossa vã filosofia podia suportar. Trabalhava na banca número 8, ali na Dr. Arnaldo, junto ao cemitério do Araçá. Vinda de Holambra, a flora ia direto para os túmulos ou mulheres semi-úmidas (claro que elas não imaginavam que as flores vinham de uma loja em frente ao cemitério - sabe como são as mulheres. Além do mais, todo relacionamento está fadado à morte mesmo, pensava Alberto. Para ele, dava no mesmo.)
Às nove da noite, deu seu horário. Ele sempre levava uma rosa colombiana vermelha para sua noiva. Tudo bem, às vezes era branca. Com a flor em uma mão e o maço de cigarro na outra, caminhou no sentido da Heitor Penteado. Precisava pegar o metrô, fazer duas baldeações, pegar um ônibus, uma van e andar 3km a pé. À caminho da estação Sumaré, mais precisamente ao atravessar a Cardoso de Almeida, Alberto acendeu um cigarro. Lembrou como conquistara sua noiva. Eu só fumo porque não tenho nada melhor para fazer com a boca, disse para a futura mulher num forró próximo ao largo da batata. Funcionou. Ela arrancou o cigarro de seus lábios e lhe tascou um beijão. Com gosto de hot-dog prensado da cardeal arcoverde, mas um beijão.
Pensativo, Alberto prestava atenção na rosa e no cigarro enquanto caminhava na ponte sobre a avenida Sumaré. Pessoas que não tem nada para fazer costumam praticar rapel e bungee jump por ali. Ele nunca notou. Quando olhou para o lado, viu o que achou ser uma pessoa se jogando. Correu para segurá-la, evitando assim um suposto suicídio. Não funcionou. Os dois caíram. Obviamente, o elástico não estava preso em Alberto.
Às nove da noite, deu seu horário. Ele sempre levava uma rosa colombiana vermelha para sua noiva. Tudo bem, às vezes era branca. Com a flor em uma mão e o maço de cigarro na outra, caminhou no sentido da Heitor Penteado. Precisava pegar o metrô, fazer duas baldeações, pegar um ônibus, uma van e andar 3km a pé. À caminho da estação Sumaré, mais precisamente ao atravessar a Cardoso de Almeida, Alberto acendeu um cigarro. Lembrou como conquistara sua noiva. Eu só fumo porque não tenho nada melhor para fazer com a boca, disse para a futura mulher num forró próximo ao largo da batata. Funcionou. Ela arrancou o cigarro de seus lábios e lhe tascou um beijão. Com gosto de hot-dog prensado da cardeal arcoverde, mas um beijão.
Pensativo, Alberto prestava atenção na rosa e no cigarro enquanto caminhava na ponte sobre a avenida Sumaré. Pessoas que não tem nada para fazer costumam praticar rapel e bungee jump por ali. Ele nunca notou. Quando olhou para o lado, viu o que achou ser uma pessoa se jogando. Correu para segurá-la, evitando assim um suposto suicídio. Não funcionou. Os dois caíram. Obviamente, o elástico não estava preso em Alberto.
sábado, 17 de março de 2007
40 anos essa noite.
Roberto era daqueles que não gostava de comemorar seu aniversário. Tinha medo que ninguém fosse. Mas dessa vez era diferente: ia fazer 40 anos. Uma data redonda merece comemoração - diziam seus amigos de firma.
Aos poucos, amoleceu. Resolveu comprar uns sanduíches de metro e chamou todos: do almoxerifado ao CPD. Reservou o salão de festas de seu condomínio pela módica quantia de hum salário mínimo. Contratou um DJ especialista em medleys. Em relação às bebidas, preparou muito ponche. Roberto sabia que tudo isso era brega demais, mas simplesmente se deixou levar pela data redonda. Datas redondadas só acontecem 7 vezes numa vida, pensou ele, se você levar em conta os dados do IBGE.
A festa já acontecia há duas horas. Roberto tinha esquecido o CD da Corona em seu apartamento. Pegou o elevador, abriu a porta e olhou fixamente para a varanda de sua sala. Nesse momento, todos que liam esse texto pensaram que ele fosse se jogar de lá. Não. Ele foi até o quarto e, com o CD da Corona em mãos, pulou da janela.
Caiu em cima de um colega do departamento pessoal, que amorteceu a queda. Roberto e o moço do DP foram encaminhados para o Pérola Byington. O zelador só iria encontrar o CD dois dias depois. E Corona iria virar uma de suas cantoras preferidas.
Roberto quebrou as duas pernas em 15 lugares. Voltou ao trabalho na semana passada. O funcionário do departamento pessoal deixa mulher, uma filha de 12 anos e um menino de 3 meses.
Aos poucos, amoleceu. Resolveu comprar uns sanduíches de metro e chamou todos: do almoxerifado ao CPD. Reservou o salão de festas de seu condomínio pela módica quantia de hum salário mínimo. Contratou um DJ especialista em medleys. Em relação às bebidas, preparou muito ponche. Roberto sabia que tudo isso era brega demais, mas simplesmente se deixou levar pela data redonda. Datas redondadas só acontecem 7 vezes numa vida, pensou ele, se você levar em conta os dados do IBGE.
A festa já acontecia há duas horas. Roberto tinha esquecido o CD da Corona em seu apartamento. Pegou o elevador, abriu a porta e olhou fixamente para a varanda de sua sala. Nesse momento, todos que liam esse texto pensaram que ele fosse se jogar de lá. Não. Ele foi até o quarto e, com o CD da Corona em mãos, pulou da janela.
Caiu em cima de um colega do departamento pessoal, que amorteceu a queda. Roberto e o moço do DP foram encaminhados para o Pérola Byington. O zelador só iria encontrar o CD dois dias depois. E Corona iria virar uma de suas cantoras preferidas.
Roberto quebrou as duas pernas em 15 lugares. Voltou ao trabalho na semana passada. O funcionário do departamento pessoal deixa mulher, uma filha de 12 anos e um menino de 3 meses.
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