segunda-feira, 26 de março de 2007

Em um ano com 26 luas.

Florisberto era funcionário público. E, como todo aspone, era uma pessoa estranha. Obcecado por juntar dinheiro, trocava seus almoços por empadas com azeitonas com caroços. Todo dia.

Quando criança, os amigos impiedosos do colégio, hoje maridos entediados de esposas semi-feias, costumavam chamá-lo de flor. Aquilo o incomodava. Um dia Floris foi até o bosque próximo à sua casa. Colheu uma bromélia e a pôs no cabelo. Veadinho, resmungou o jardineiro municipal. O garoto não ligou. Talvez nem tenha ouvido. O que importa é que ele passou, com o adorno na cabeça, a tarde inteira admirando o caule de uma palmeira. Que caule lindo. Que caule lindo. Que caule lindo. Que caule lindo. Que caule lindo. Que caule lindo. Ó, o crepúsculo.

Florisberto juntou, em 30 anos, mais de 300 mil reais. Gastou 12 mil com a operação de mudança de sexo. Arrependeu-se. Gastou mais 20 mil, agora dólares, para enxertar gordura do bumbum na sua mínuscula glande, que tinha se transformado num pseudo-clitóris. Porém, maratonista e obviamente com um índice mínimo de gordura corporal, não lhe sobrou muito para o recheio de seu pênis. Gastou os outros 228 mil reais em vodca de média qualidade.

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